Pela primeira vez na Galeria Monumental, Maria Pinheiro apresenta uma série de trabalhos a óleo sobre retábulos de madeira, que acompanham o seu regresso a Lisboa. Nessas pinturas, o encontro com as massas que se acumulam e convergem numa tensão íntima análoga à da imagem sonhada. A vontade de ver a história dessa misteriosa criação ser contada em pulsões que vivem nesse infinito que é o desenho: pura fruição da liberdade. No centro, aquilo que percebe ser o princípio mitológico que faz da história um poema, um corpo vivo, aberto, misterioso e eternamente crescente, diz a artista que, por fim, acrescenta:
“Por isso o acocorar-se em cima dessa pedra quente,
Por isso a água: por isso o segredo velado dessa pedra quente,
Por se ver lançado o corpo sobre aquilo que quer guardar.”
